terça-feira, 16 de março de 2021

MUITO ALÉM DA VACINA

 


            Era final de 1962. Havia dois anos que Brasília havia sido inaugurado. Eu, que havia nascido na capital da República, tornei-me um mero provinciano. Havia um surto de difteria no Rio de Janeiro (ou talvez Guanabara). Uma menina da minha rua, filha de um oficial da aeronáutica, contraiu a doença. Minha prima, embora vacinada, também teve uma forma moderada de crupe. Funcionários do Ministério da Saúde apareceram lá em casa e foram logo enfiando cotonetes goela adentro de todos nós. Algo parecido com a coleta de amostra para exame de PCR para Covid-19. Eu era vacinado e não contraí a doença. Mas mesmo assim meu exame deu positivo. Isto significava que embora eu não contraísse difteria, poderia contaminar outras pessoas. Esta experiência eu tive aos dez anos! Tomei vários frascos de soro antidiftérico antes de negativar. Repeti o exame mais duas vezes.

            Passaram-se quase sessenta anos e eu troquei de lado. Deixei de ser paciente para agente. Na qualidade de pesquisador do setor agropecuário, funcionário do Estado do Rio de Janeiro, eu encarei um desafio. Uma nova doença de bananeira entrou no Estado vindo de Parati e entrando em Angra dos Reis. Apesar dos prejuízos a Sigatoka Negra é curável. Bastam duas dúzias de pulverizações aéreas por ano! Pulverizações aéreas em lavouras de bananeiras no Rio de Janeiro? Bananas são produzidas por produtores familiares, em grotas nas regiões montanhosas do Estado! Além de antieconômico, é inviável tecnicamente! A solução foi trazer variedades resistentes. Foram realizados vários ensaios em áreas produtoras do Rio de Janeiro. Inclusive em Angra dos Reis.

            Passaram-se cerca de dois anos, quando recebemos um telefonema desesperado da produtora parceira do ensaio de Angra dos Reis. A Vigilância Sanitária Vegetal visitou sua propriedade e constatou que um bananal, que não fazia parte do experimento, estava infectado com a Sigatoka Negra. A propriedade foi interditada! Ela pedia para nós intercedermos para que pelo menos as bananas provenientes da área experimental pudessem ser comercializadas. Solicitava também autorização para comercializar mudas das variedades resistentes. Eu e o colega Maldonado, colega Pesquisador que me acompanhava no projeto, sabíamos que seria uma luta perdida. Mas por quê?

            Porque as variedades utilizadas eram resistentes e não imune à Sigatoka Negra. E isto fazia toda a diferença! Se as variedades que pretendíamos introduzir fossem imunes, não haveria perigo de contágio para uma planta suscetível. Sendo resistentes as plantas poderiam ser infectadas, porém o sintoma da doença não seria suficiente para diminuir a produtividade das plantas. Porém a possibilidade de transmissão para uma planta suscetível, embora não seja muito grande, mas era bem real.

            Mas porque eu estou contando toda estas histórias? Cada vez mais os brasileiros estão sendo vacinados contra o coronavírus. Mas não há como vacinar todas as pessoas de uma vez. No atual momento algumas pessoas estão vacinadas e outras não. Será que as pessoas que tomaram a segunda dose, e respeitou o período de carência, já podem respirar aliviados e sair para comemorar? Eu queria fazer um alerta:

MESMO VACINADOS TEMOS QUE USAR MÁSCARAS, LAVAR AS MÃOS E DESINTERAR COM ÁLCOOL E RESPEITAR O DISTANCIAMENTO.

            Porém o índice de letalidade das duas vacinas utilizadas por ora no Brasil tente a zero. Ou seja, quem toma a vacina raramente morre de Covid-19. Porém há um detalhe técnico: Sabe-se que a eficiência do Coronavac é por volta de 60%, enquanto a de Oxford/Fiocruz é de 80%. Isto significa que entre quarenta e vinte por cento das pessoas que tomam estas vacinas ainda pode transmitir o vírus.

Moral da história: SE VOCÊ E IDOSO E TOMOU VACINA CONTRA COVID-19 NÃO VAI QUERER “MATAR” SEUS FILHOS, SOBRINHOS E NETOS. DAÍ A NECESSIDADE DE CONTINUAR OS PROCEDIMENTOS QUARENTENÁRIOS.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

SOU ALÉRGICO A ÓDIO.


      Sou alérgico ao ódio. Toda vez que meu coração se encheu de ira, passei literalmente mal. Não tenho inimigos pessoais. Inimigos de classe, sim. Mas quem não os tem? O homem deixa de ser humano quando deixa de se indignar pelas injustiças no mundo! Quando falo “inimigo de classe”, não estou me referindo ao poder formal, mas o poder de fato. Também não sinto ódio pelos políticos profissionais, meros chefetes de um sistema corrupto.

     Por exemplo: Meu pai foi preso e torturado pelo DOI-CODI, órgão de repressão da ditadura militar, em 1975. Um dia me senti questionado. E se hipoteticamente alguém amarrasse um dos torturadores do meu pai, amarrasse em um poste e me desse um porrete? O que eu faria? A resposta veio de um amigo: “largaria o porrete e seguiria meu caminho!” Porque espancar um imbecil atormentado?

   Alguém pode até me questionar. “Você já matou baratas, mosquitos, pulgões e lagartas! Até rato e cobra você já matou!” O fiz por motivos pragmáticos. De alguma forma estes insetos contribuem para a negação da nossa existência. Seja pela doença ou pela fome. Já matei cobras porque tinha medo delas. Hoje me arrependo! Os três ratos que matei até hoje me encheram de remorso. Toda vez que vou cozinhar feijão, penso nas milhares de vidas que morrem na água fervendo. Um quilo de feijão são cinco mil embriões de uma nova planta!

    Nunca me meti em brigas, nem quando criança! Ou resolvo diplomaticamente ou recuo, esperando uma nova oportunidade para ocupar meu espaço. Deus me deu muita inteligência e paciência e estou agradecido por isso! “Quem brigam são os animais, que não pensam!” Dizia minha avó.

  Algumas pessoas me “xingam” de comunista. Outros me aceitam como tal, mas têm outra concepção para a palavra. Tudo questão de semântica! “Ser ou não ser eis a questão!” Vou usar o darwinismo, ciência que domino um pouco mais, para explicar que tipo de sociedade eu gostaria de construir. Mutualismo – todos fornecem aquilo que podem produzir e todos recebem o que necessita. Mas uma sociedade assim seria possível? Na sociedade moderna valoriza-se muito a competição. Será que a competição é mais eficiente na seleção natural que o mutualismo?

  É bom observar que no mutualismo não existe igualdade entre os seres vivos, pois cada um tem suas necessidades e suas potencialidades.

    Mas antes de responder quero falar sobre a relação de amor e ódio entre o predador e a presa. O leão não odeia o búfalo. O leão vê no búfalo uma fonte de alimento para si e para sua família. O búfalo não odeia o Leão. Mas o búfalo mata o leão para proteger a si próprio e ao rebanho. O Leão quando não está com fome vê um búfalo e não deseja sua morte, o mesmo sentimento é compartilhado pelo búfalo em relação ao leão, quando o vê descansando com sua família. O búfalo e o leão não são inimigos pessoais. São “inimigos de classe”!

     Não há como estudar biologia sem conhecer as leis físicas da termodinâmica. A segunda lei é a chamada “entropia”. Todo sistema ordenado tende a se desfazer na unidade do tempo até ficar totalmente desordenado. Para restaurar a ordem é necessária fornecer energia ao sistema. Em um sistema de predação ou parasitismo a entropia acontece mais rápido, já que a vida de um depende da morte ou enfraquecimento do outro. No caso do mutualismo o processo de entropia acontece mais devagar, pois todos aproveitam da energia que sobra no sistema para se desenvolver. Tanto é verdade, que o mutualismo é a forma de associação mais comum entre os seres vivos. Colônias de formigas ou cupins são ecologicamente bem sucedidas em todo o mundo. Em qualquer pedra ou casca de arvore encontra-se liquens, associação entre algas e fungos. Mesmo na cadeia alimentar podemos observar associações positivas: quando um pulgão se alimenta de uma planta, vem uma joaninha se alimenta do pulgão, favorecendo a planta. A joaninha tem seu alimento e a planta se livra da praga. Se todos os leões forem mortos, os búfalos vão destruir toda a pastagem, e acabarão por morrer também. O leão precisa do capim e o capim precisa do leão. Nós humanos não viveríamos sem as bactérias. Existem mais bactérias no nosso organismo que células humanas. Precisamos das bactérias para melhor aproveitar os alimentos que ingerimos. Precisamos de bactérias para nos proteger de patógenos que nos causariam doenças. Vivemos também em uma relação simbiótica com ácaros na nossa pele.

            É preciso muito cuidado ao associar o darwinismo com a sociedade humana. A ascensão do nazismo foi devida, entre outras teorias, o chamado “darwinismo social”. Mas aqui apenas faço um paralelo para mostrar que o sistema capitalista não é ecologicamente sustentável. Vou tratar da espécie humana como um todo, sem nenhuma discriminação. O capitalismo é baseado no consumo. Na “predação” dos recursos naturais. Quanto mais se consome necessita-se mais recursos naturais. Só se recicla o que é viável economicamente. O capitalismo apenas prospera em ambiente de superabundância de recursos. Criam-se sempre novas necessidades, muitas vezes supérfluas. Nenhum bem durável pode ser durável a ponto de saturar o mercado. Tudo um dia tem que ser descartado! Capitalismo e sustentabilidade são como óleo e água. Não se combinam. Porém, no momento, o sistema capitalista é mais eficiente que um sistema “mutualista”. Este é o motivo pelo qual todas as tentativas históricas neste sentido foram frustradas. Ou decretaram falência como na URSS ou tiveram que retroceder como na China.

    É claro que os trabalhadores e pessoas desempregadas têm mais interesse em um sistema onde todos fornecem aquilo que podem produzir e todos recebem o que necessitam. Esta classe social tem menos vantagem em um sistema de economia de mercado e serão elas as primeiras a tentarem mudar seus paradigmas. Por este motivo quem tem ideias “mutualista” deve tratar este grupo social com mais carinho e deverá estar sempre disposto a apoiar suas reinvindicações.

    Em determinado momento histórico, no futuro, o sistema capitalista não terá condições de se auto sustentar. Por falta de matéria prima, a produtividade do trabalho vai começar a cair até um ponto crítico. É obvio que os grandes grupos econômicos farão de tudo para se manterem de pé. Haverá muito desemprego e pouca gente para comprar as mercadorias. Não havendo como abaixar o preço, devido ao alto custo de produção, o sistema entrará em colapso. Será a última de suas crises cíclicas! Neste momento há três possibilidades.

1        1. Uma convulsão social que leve, senão a extinção da espécie humana, um retrocesso de centenas de anos na história.

2       2. Uma mudança de paradigmas conflituosa havendo grandes guerras. Ao contrário das guerras que são programadas pelos poderosos, este conflito acontecerá objetivamente através de uma revolta popular que só terminará com a vitória dos oprimidos. Estes construirão uma nova sociedade. De início não haverá mutualismo. Haverá muitas disputas por hegemonia, os governos serão fracos e autoritários, com muita atrocidade. Com o tempo as coisas vão se acertando e começa a construção de uma nova sociedade. Depois de um processo educativo que levará várias gerações, será possível chegar a uma sociedade com tendências ao mutualismo.

          3. As classes dominantes (os ricos empresários) estarão tão enfraquecidas que se deixarão dominar pacificamente. Alguns capitalistas poderão até fazer acordos com os novos detentores do poder e se adaptará aos novos paradigmas. Nem por isso a ruptura deixará de ser traumática. Haverá de início, muita opressão e autoritarismo. Com o tempo as forças vão se acomodando, de modo que uma democracia social tomará conta de todo o planeta. Como no caso anterior, serão necessárias várias gerações para que se volte a ter abundância e um povo educado a ponto de consumir apenas o que necessita. 

N          Nesta época não haverá  estados ou países conforme conhecemos. Não haverá necessidade de fronteira, exercito e polícia. Nem mesmo cadeia. A população mundial estará tão educada que a pior das punições será o “ostracismo”. As pessoas que errarem será considerado indigno. Mas o perdão virá da autocrítica (aceitar sinceramente a culpa e não apenas prometer não mais voltar a cometer erros). É estar sinceramente comprometido com a reparação. Com a reciclagem quase total dos resíduos, o ser humano não necessitará de tantos recursos quanto hoje. Boa parte do planeta poderá ser reconstituído. Viveremos em uma sociedade global em que cada um cuida de todos e todos cuidam de cada um e do mundo que nos cerca.

Viveremos em um mundo sem ódio. Quem ler o livro de Apocalipse poderá observar a “batalha entre o mal e o bem”, com a vitória deste último. Qualquer semelhança com a saga rumo a uma sociedade “mutualista” não é coincidência. É a realização de um sonho da humanidade, desde a divisão social do trabalho, há dez mil anos. Em uma sociedade “mutualista” não haverá igualdade total entre os homens porque isto seria injusto. Cada pessoa tem suas necessidades. Cada pessoa tem sua capacidade.


 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

A MALDIÇÃO DOS ANOS ZERO - qual será o destino do próximo presidente dos Estados Unidos?

 

A história da maldição começou por volta de 1811 nos Estados Unidos. Houve uma batalha entre as tropas liderada por William H. Harrison e a tribo indígena Tippecanoe, liderados por Tecumseh e seu irmão Tenskwatawa, conhecido pelo apelativo de "o Profeta".  Quando Harrison tornou-se foi candidato a presidente dos EUA em 1836, Tenskwatawa lançou uma maldição contra ele e todos os futuros ocupantes da Casa Branca. O chefe indígena previu que seu inimigo não venceria neste ano, mas em 1840 seria eleito. Desta forma Tenskwatawa lançou a seguinte maldição:

“Harrison não ganhará este ano o posto de Grande Chefe. Mas ganhará da próxima vez. E quando o fizer não terminará o seu mandato. Morrerá durante o exercício.” “Digo-vos que Harrison morrerá e quando ele morrer vós recordareis a morte do meu irmão Tecumseh. Vós credes que perdi os meus poderes, eu que faço que o Sol escureça e os peles-vermelhas deixem a aguardente. Digo-vos que ele morrerá e depois dele, todo o Grande Chefe escolhido a cada 20 anos daí em diante, e quando um morrer, todos recordarão a morte de nosso povo.”

Desde 1840 todos os presidentes Norte-americanos eleitos em anos terminados com o número “zero” quando não morrem assassinados ou de morte natural, são alvos de atentados.

PRESIDENTES AMERICANOS QUE SUPOSTAMENTE SOFRERAM COM A MALDIÇÃO DOS ANOS ZERO.

:

Ano

Presidente

Causa da morte

Assassino

Ano da morte

1840

William Henry Harrison

Pneumonia

1841

1860

Abraham Lincoln

Assassinado

John Wilkes Booth

1865

1880

James A. Garfield

Primeiro

Assassinado

Charles J. Guiteau

1881

1900

William McKinley

Assassinado

Leon Czolgosz

1901

1920

Warren G. Harding

Causas não esclarecidas. (acredita-se que foi ataque cardíaco)

1923

1940

Franklin D. Roosevelt

Terceiro

Quarto

Hemorragia cerebral

1945

1960

John F. Kennedy

Assassinado

Lee Harvey Oswald

1963

1980

Ronald Reagan

Sofreu atentado, porém sobreviveu. (saiu vivo da Casa Branca)

John Hinckley Jr.

-

2000

George W. Bush

Atentado de 11 de setembro (um avião abatido tinha como alvo a Casa Branca).

Al Qaeda

2001

 

 

ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS - "A MALDIÇÃO DOS ANOS ZERO" - o próximo presidente pode morrer durante o mandato.

 

A história da maldição começou por volta de 1811 nos Estados Unidos. Houve uma batalha entre as tropas liderada por William H. Harrison e a tribo indígena Tippecanoe, liderados por Tecumseh e seu irmão Tenskwatawa, conhecido pelo apelativo de "o Profeta".  Quando Harrison tornou-se foi candidato a presidente dos EUA em 1836, Tenskwatawa lançou uma maldição contra ele e todos os futuros ocupantes da Casa Branca. O chefe indígena previu que seu inimigo não venceria neste ano, mas em 1840 seria eleito. Desta forma Tenskwatawa lançou a seguinte maldição:

“Harrison não ganhará este ano o posto de Grande Chefe. Mas ganhará da próxima vez. E quando o fizer não terminará o seu mandato. Morrerá durante o exercício.” “Digo-vos que Harrison morrerá e quando ele morrer vós recordareis a morte do meu irmão Tecumseh. Vós credes que perdi os meus poderes, eu que faço que o Sol escureça e os peles-vermelhas deixem a aguardente. Digo-vos que ele morrerá e depois dele, todo o Grande Chefe escolhido a cada 20 anos daí em diante, e quando um morrer, todos recordarão a morte de nosso povo.”

Desde 1840 todos os presidentes Norte-americanos eleitos em anos terminados com o número “zero” quando não morrem assassinados ou de morte natural, são alvos de atentados.

Presidentes incluídos na linha da suposta maldição

Eleito

Presidente

Causa da morte

Assassino

Ano da morte

1840

William Henry Harrison

Pneumonia

1841

1860

Abraham Lincoln

Assassinado

John Wilkes Booth

1865

1880

James A. Garfield

Primeiro

Assassinado

Charles J. Guiteau

1881

1900

William McKinley  

Assassinado

Leon Czolgosz

1901

1920

Warren G. Harding

Causas não esclarecidas. (acredita-se que foi ataque cardíaco)

1923

1940

Franklin D. Roosevelt

Terceiro

Quarto

Hemorragia cerebral

1945

1960

John F. Kennedy

Assassinado

Lee Harvey Oswald

1963

1980

Ronald Reagan

Sofreu atentado, porém sobreviveu. (saiu vivo da Casa Branca)

John Hinckley Jr.

-

2000

George W. Bush

Atentado de 11 de setembro (um avião abatido tinha como alvo a Casa Branca).

Al Qaeda

2001